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Aspectos Políticos do Pleno Emprego Brasileiro, por Lucca Henrique

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     Kalecki foi um dos mais importantes economistas no século passado, mas muitas vezes suas contribuições são esquecidas ou subvalorizadas - colocando seu nome como apenas mais um dos muitos pensadores pós-keynesianos. Porém, diga-se de passagem, Kalecki chegou às mesmas conclusões de Keynes alguns anos antes, partindo de uma base teórica distinta, o que faz com que muitos economistas hoje assumam sua teoria como mais interessante que a do próprio Keynes. Mas para além das rixas entre personagens históricos, Kalecki, que dedicou grande parte da sua obra para a análise da dinâmica capitalista e o entendimento dos ciclos econômicos, desenvolveu, em um de seus escritos tardios, uma extensão do seu pensamento a fim de incorporar um elemento fundamental para a economia: a política. Em seu clássico texto "Political Aspects of Full Employment" [Aspectos Políticos do Pleno Emprego (1943) ], Kalecki apresenta de modo claro e sucinto (sim, num texto genial de meras 10 páginas) ...

Ecologia e Economia Política, por João Vítor Leite Rodrigues

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É possível construir, a partir da crítica à economia política de Marx, argumentos que colocam a crise ambiental no cerne da teoria marxiana. Da mesma forma, é possível pensar em como as transformações do sistema econômico capitalista, passando de um modelo concorrencial para sistemas monopolistas/oligopolistas, acarretaram maiores pressões sobre o sistema natural. Em nossa visão, a crise ambiental pode ser (e deve ser) encarada como interligada ao modo de produção capitalista, uma consequência deste sistema, e não um desvio ou ‘falha’ do mesmo. Uma das raízes da crítica de Marx à economia política seria a distinção entre as categorias ‘valor de uso’ e ‘valor de troca’. Enquanto a riqueza pública e os bens públicos seriam valorados por meio de seus ‘valores de uso’, a riqueza privada seria valorada por meio dos ‘valores de troca’. Neste sentido, uma resultante do processo de produção capitalista seria a apreensão e transformação, por parte das classes dominantes, dos bens públicos – val...

China e Brasil: desafios para a estratégia política comercial brasileira, por Juliana Brandão

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País de maior investimento direto no Brasil e seu maior parceiro comercial, a China vem se consolidando nos últimos vinte anos como a grande potência econômica no mundo. Somente na América Latina, ela é o destino de 10% das exportações totais do subcontinente, e no Brasil, cerca de 33,7% das exportações agrícolas, de acordo com dados de janeiro de 2021 da Secretaria de Comércio Exterior. A importância de analisar a relação comercial do país com o Brasil, bem como seu dinamismo e sentido, aumentam proporcionalmente à expansão chinesa em movimentar a economia brasileira.  A pandemia da Covid-19 levantou questões importantes para a análise da interação Brasil-China. Com a diminuição dos investimentos chineses na América Latina como um todo, acentuou-se o processo de reprimarização das economias da região, especialmente a brasileira, a qual só apresentou resultados positivos no setor agropecuário no ano de 2020. Tais resultados tornam cada vez mais urgente o desenvolvimento de estratég...

Privatização dos Correios, por Eduardo Munaldi

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Terça-feira, no dia 22 de abril de 2021, o presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL) tentou uma manobra para votar a urgência do projeto de lei (PL 591/21), enviada pelo Governo Federal, e que institui e autoriza empresas privadas a prestarem serviços postais - quebrando assim o monopólio constitucional e natural dos Correios brasileiros nas entregas de cartas. A grosso modo, é uma tentativa de iniciar o que seria um processo de privatização da estatal nacional. Com muita resistência no Congresso, o projeto que garantiria que empresas do setor privado pudessem prestar serviços postais seria mais “palatável” na visão de um governo eleito com a promessa de reformas. A privatização dos Correios ganha forma no momento em que há uma guerra de narrativas sobre o papel das estatais e os socorros da União em caso de déficits, o que, de certa maneira, é um jargão equivocado: “pagamos impostos e os Correios prestam um péssimo serviço”. Calzada (2009) diz que as privatizações estão inversamente li...

A importância da luta pela licença compulsória da vacina contra Covid-19, por Wilson Júnior

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A importância da luta pela criação, produção e aplicação gratuita de vacinas massivamente está na ordem do dia, mas, produzida a vacina contra a Covid-19, qual o real quadro para atendimento de toda a população mundial? Qual tem sido o papel dos países ricos e em desenvolvimento para garantir a vacinação, indistintamente, de toda a população mundial? Até março de 2021, existem 11 imunizantes em utilização no planeta, além de 261 vacinas em desenvolvimento e 79 em testes em humanos. A cada semana novas vacinas avançam no seu desenvolvimento e aprovação. Segundo um estudo da  Economist Intelligence Unit  sobre as vacinas contra a Covid-19 no mundo, as nove principais empresas, em ordem de classificação, são: Pfizer (EUA) em parceria com a BioNTech (Alemanha); AstraZeneca (Anglo-sueca) em parceria com a Universidade de Oxford (Reino Unido); Moderna (EUA); Sputnik V (Russa), da empresa Gamaleya Centre; Vacina da SinoPharma (China), Coronavac do laboratório Sinovac Biotech (China),...

Sem censo, sem bom senso

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Nós, cientistas sociais e estudantes da área, repudiamos profundamente a decisão do Governo Bolsonaro de, em duas tesouradas, cancelar o Censo Demográfico de 2021. Realizada a cada 10 anos pelo IBGE, a pesquisa coleta informações de aproximadamente 70 milhões de domicílios e trata-se do mais importante instrumento balizador da formulação e implementação de políticas públicas no Brasil. O Censo constitui a única fonte de referência sobre a situação de vida de toda a população brasileira. É o primeiro instrumento estatístico a colocar sob a lupa a realidade desses brasileiros. E não só isso -- porque o Censo também é essencial para transformar essas realidades. É pelos dados do Censo que dimensionamos a necessidade de políticas sociais e de transferência de renda e também por meio dele que  se define o montante de recursos a ser distribuído pela União a cada município e Estado. O orçamento de 2021, aprovado com mais de quatro meses de atraso e com cortes em diversas áreas essenciais ...

A solução dos transportes para a Economia de Baixo Carbono, por Guilherme de Castro

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Em consonância com os textos anteriores do blog do Desajuste que abordaram de alguma forma a Economia de Baixo Carbono, este artigo pretende discorrer brevemente sobre uma das soluções para o problema da redução de emissões ao qual se propõe essa vertente da economia. A mobilidade elétrica já integra o leque de soluções de redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) em muitos países, e para o Brasil não deve ser diferente. Embora ainda incipientes, no país existem diversas ações em andamento no sentido de promover uma mobilidade mais sustentável, bem como medidas regulatórias de financiamento, de capacitação profissional, etc.  Inicialmente, o texto procura, de forma não exaustiva, apresentar algumas dessas iniciativas que foram ou têm sido desenvolvidas no país a fim de promover ou garantir a adoção da mobilidade elétrica. Depois, são abordados os caminhos que podem ser adotados para melhorar esse cenário e atender às metas nacionais e internacionais de redução de emissõe...