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Políticas culturais e neoliberalismo, por Victor Plasa

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A crise política e econômica enfrentada pelo setor cultural vai além da questão ideológica do governo Bolsonaro; ela faz parte do projeto neoliberal que retomou o controle total da máquina estatal após 2016 e cujo objetivo é desmontá-la, transferindo recursos, possibilidades de atuação e controle sobre investimentos e lucros à iniciativa privada, além de diminuir a regulação de mercados, impostos e normas. Para entender a situação atual da cultura, é preciso analisar sua trajetória a partir do processo de transição da ditadura empresarial-militar para a democracia burguesa. Busca-se identificar o papel atribuído ao Estado nas discussões acerca de sua inserção no setor cultural e o conceito de cultura adotado pelos governos neoliberais entre 1985 e 2002. Esse recorte temporal é fruto do processo de ascensão do capital monopolista ocorrido ao longo do regime militar e de aumento do espaço para as disputas no campo cultural. Durante a ditadura, o Estado construiu as políticas públicas de...

Outras economias e outras ontologias, por João Vitor Rodrigues

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Resenha texto: TIBLE, Jean. Marx indígena, preto, feminista, operário, camponês, cigano, palestino, trans, selvagem . São Paulo: N-1 Edições. Série Pandemia, março/2019. Jean François Germain Tible, em Marx indígena, preto, feminista, operário, camponês, cigano, palestino, trans, selvagem (2019), busca promover um encontro entre ‘Marx e a teoria marxiana’, com as pesquisas, conhecimentos, ensinamentos e  cosmologias dos povos tradicionais da América Indígena /América Latina. Tidos por muitos como ‘povos selvagens’, os povos tradicionais são trabalhados por Tible neste encontro por meio de autores como José Carlos Mariátegui, Davi Kopenawa, Isabelle Stengers, Viveiros de Castro, Claude Lévi-Strauss  Tible nos convida a pensar: “Quais os sentidos de pensarmos-lutarmos com Marx hoje” ? Para  ele, “existe uma certa obsessão em decretar o fim de Marx (e do marxismo) ” . Marx e sua (s) teoria (s) ainda se encontram, na visão do autor, bastante contemporâneos e importantes p...

Aspectos Políticos do Pleno Emprego Brasileiro, por Lucca Henrique

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     Kalecki foi um dos mais importantes economistas no século passado, mas muitas vezes suas contribuições são esquecidas ou subvalorizadas - colocando seu nome como apenas mais um dos muitos pensadores pós-keynesianos. Porém, diga-se de passagem, Kalecki chegou às mesmas conclusões de Keynes alguns anos antes, partindo de uma base teórica distinta, o que faz com que muitos economistas hoje assumam sua teoria como mais interessante que a do próprio Keynes. Mas para além das rixas entre personagens históricos, Kalecki, que dedicou grande parte da sua obra para a análise da dinâmica capitalista e o entendimento dos ciclos econômicos, desenvolveu, em um de seus escritos tardios, uma extensão do seu pensamento a fim de incorporar um elemento fundamental para a economia: a política. Em seu clássico texto "Political Aspects of Full Employment" [Aspectos Políticos do Pleno Emprego (1943) ], Kalecki apresenta de modo claro e sucinto (sim, num texto genial de meras 10 páginas) ...

Ecologia e Economia Política, por João Vítor Leite Rodrigues

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É possível construir, a partir da crítica à economia política de Marx, argumentos que colocam a crise ambiental no cerne da teoria marxiana. Da mesma forma, é possível pensar em como as transformações do sistema econômico capitalista, passando de um modelo concorrencial para sistemas monopolistas/oligopolistas, acarretaram maiores pressões sobre o sistema natural. Em nossa visão, a crise ambiental pode ser (e deve ser) encarada como interligada ao modo de produção capitalista, uma consequência deste sistema, e não um desvio ou ‘falha’ do mesmo. Uma das raízes da crítica de Marx à economia política seria a distinção entre as categorias ‘valor de uso’ e ‘valor de troca’. Enquanto a riqueza pública e os bens públicos seriam valorados por meio de seus ‘valores de uso’, a riqueza privada seria valorada por meio dos ‘valores de troca’. Neste sentido, uma resultante do processo de produção capitalista seria a apreensão e transformação, por parte das classes dominantes, dos bens públicos – val...

China e Brasil: desafios para a estratégia política comercial brasileira, por Juliana Brandão

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País de maior investimento direto no Brasil e seu maior parceiro comercial, a China vem se consolidando nos últimos vinte anos como a grande potência econômica no mundo. Somente na América Latina, ela é o destino de 10% das exportações totais do subcontinente, e no Brasil, cerca de 33,7% das exportações agrícolas, de acordo com dados de janeiro de 2021 da Secretaria de Comércio Exterior. A importância de analisar a relação comercial do país com o Brasil, bem como seu dinamismo e sentido, aumentam proporcionalmente à expansão chinesa em movimentar a economia brasileira.  A pandemia da Covid-19 levantou questões importantes para a análise da interação Brasil-China. Com a diminuição dos investimentos chineses na América Latina como um todo, acentuou-se o processo de reprimarização das economias da região, especialmente a brasileira, a qual só apresentou resultados positivos no setor agropecuário no ano de 2020. Tais resultados tornam cada vez mais urgente o desenvolvimento de estratég...